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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Quem censura a imprensa no Brasil, vejam só, é a Justiça

 
16/02/2011  Ricardo Setti    Revista VEJA

    A espantosa revelação de que o Google foi obrigado a retirar do ar 398 textos jornalísticos apenas na primeira metade de 2010, por ordem judicial — uma vergonha que coloca o Brasil como recordista mundial no gênero, seguido pela tenebrosa ditadura da Líbia, com a metade do número de reportagens eliminadas –, evidencia em tintas fortes um fenômeno que discutimos pouco: num país em que vige a plena liberdade de imprensa e do qual a democracia baniu a censura praticada pelo regime militar, quem amordaça a imprensa, valendo-se de decisões na maioria das vezes contrárias à Constituição, é o Judiciário.

   Os números foram revelados em São Paulo pelo jornalista argentino radicado nos Estados Unidos Carlos Lauria, um dos coordenadores do Comitê para Proteção dos Jornalistas (CPJ).

   O CPJ é uma organização independente, sem fins lucrativos, fundada em 1981 e com sede em Nova York, dirigida por 25 jornalistas e financiada por doações de fundações, empresas e pessoas – muitas delas jornalistas de todo o mundo –, que não aceita qualquer colaboração de governos.

   Conheça o site do CPJ.